Terremotos: movimento das placas tectônicas

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Terra abalada

O movimento das placas tectônicas me balançou de uma maneira especial quando li, há mais de dez anos, o Fim da Evolução, de Peter Ward (Editora Campus, 1997).

O livro do paleontólogo americano da NASA e da Universidade de Washington mostrou-me, entre outras coisas, que a crosta terrestre não é estática. A frágil camada externa do planeta, sobre a qual vivemos, desloca-se continuamente. Flutua em magma. Um tanto apavorante.

E por que não aprendi isso na escola primária? Porque a prova da deriva continental só surgiu no início da década de 1960; quando um conjunto de estudos científicos desmontou para sempre a idéia de uma Terra quieta. Ou confortavelmente acolhedora.

Vulcões e terremotos não são castigos de Deus, como cheguei a imaginar quando criancinha. O leito oceânico, onde a crosta é mais fina, se expande constantemente; sem que o planeta aumente de tamanho. Qual o mistério?

Ao se expandir, a crosta oceânica (formada por placas) mergulha para dentro da própria Terra. Submerge nas chamadas "zonas de subducção". Ou seja, imensas placas acabam afundando centenas de quilômetros abaixo da superfície, onde se transformam em rocha derretida.

Queiramos ou não, estamos à mercê da deriva continental ou movimento tectônico.

O terremoto, na madrugada de sábado, no Chile e as tsunamis que se seguiram foram o resultado do atrito vertical constante entre duas placas na bacia do oceano Pacífico: a oceânica Nazca e a continental Sul-americana.

Ou seja, a Nazca tanto forçou a passagem para submergir sob a costa da América do Sul que produziu um abalo sísmico de uma intensidade tremenda: 8,8 graus na escala Richter.

Pois bem, esse terremoto era previsível. Na verdade, os estudos científicos já permitem que se saiba onde haverá tremores de terra. Porém, a tecnologia ainda não é capaz de dizer em que momento cada um acontecerá.

O povo chileno sabe que se encontra no Anel de Fogo do Pacífico, sujeito a erupções vulcânicas e terremotos que acontecem sistematicamente na costa oeste das Américas, em alguns países asiáticos e da Oceania.

Como conviver com essa situação geológica adversa? Passivamente, deixando-se abater pela energia destruidora das entranhas terrestres ou usando a criatividade e a inteligência para construir cidades mais resistentes e aptas ao meio-ambiente?

Sina ou não, o "anel de fogo" é uma realidade para os habitantes da área. Chilenos e japoneses, por exemplo, procuram desenvolver engenharia e comportamento adequados para viver de acordo com as características geológicas de seus países.

Soberanos de antigas civilizações tentavam aplacar a fúria da natureza oferecendo sacrifícios humanos a deuses cruéis.

Hoje, os líderes mundiais não tentam mais controlar os movimentos da Terra. Barack Obama, um dos líderes, aproveita seus discursos para dizer ao mundo: "podemos e precisamos estar prontos para enfrentar os desastres naturais".

A tragédia do Haiti (com 230 mil mortos), provocada pelo terremoto de janeiro, poderia ter sido menor se a pobreza do país não se somasse ao choque das placas tectônicas a poucos quilômetros de Porto Príncipe.
No Chile, onde o sismo liberou uma energia muitíssimo maior, o número de vítimas será muito menor.

Não é à toa que o Peter Ward costuma afirmar que a manutenção da vida humana no planeta depende mesmo é do avanço responsável da ciência e da tecnologia.

Eventos dramáticos que ultimamente têm atingido os terráqueos parecem avisar que é preciso continuar evoluindo. E redobrar os cuidados.

Com mais de 6 bilhões de filhos humanos pressionando, a mãe natureza está dando a impressão de estar mais para Medeia do que para Gaia…

Ateneia Feijó é jornalista

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/03/02/terra-abalada-270577.asp

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