Silas Malafaia vendendo bênçãos em troca de ofertas a 16 dias da comemoração da Reforma Protestante

Uma Estrangeira no Mundo

2016-10-15-3
No dia 15 de outubro, o (im)Pastor Silas Malafaia colocou no ar uma palavra profética, digo, patética, na qual mais uma vez se utiliza dos argumentos de seus gurus americanos Morris Cerullo e Mike Murdock: que o deus deles dará riquezas e multiplicará sobremaneira o valor que os ofertantes enviarem a seu ministério. Seria mais do mesmo, não fosse a data da profetada: faltando 16 dias para a comemoração do Dia da Reforma Protestante.

Pena que não moro no Rio de Janeiro. Se morasse, amanhã mesmo estaria na frente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, igreja do (im)Pastor Malafaia, fazendo uma enquete entre os fiéis: o que se comemora no dia 31 de outubro? O que foi a Reforma Protestante? E o que os evangélicos têm a ver com o movimento protestante?

Sinceramente, não me espantaria de respostas como: dia 31/10 é o Dia das Bruxas, Reforma Protestante eu aprendi na escola, mas faz muitos anos e já esqueci, e esse negócio de protestante é coisa de esquerdista.

E por que acho isso?

Porque alguém que conhece o movimento reformador e conhece as essências do Evangelho jamais cairia na lábia de (im)pastores como o próprio Malafaia.

Na palavra patética proferida hoje, Malafaia afirma que ela vem de “deus”. Segundo o contato que teve com “ele” (imagino que via celular, pois a mensagem veio tão truncada que nela não se reconhece nada do Evangelho de Cristo), Malafaia traz a instrução de que quem ofertar quantias preestabelecidas receberá bênçãos também preestabelecidas.

São cinco modalidades de ofertas e suas consequentes bênçãos, a seguir:

mala

É interessante que, quando cita a oferta de qualquer valor, o (im)Pastor faz questão de grifar várias vezes que ela tem que ser uma “oferta de sacrifício”, a oferta do “melhor”, ou seja, se for dar menos que mil reais, o fiel tem que dar o máximo que puder para valer a pena.

Mas Malafaia tenta ser bonzinho. Ele diz que aceita qualquer oferta porque quer que todo o mundo receba a bênção. E a bênção é para quem dá dinheiro para o SEU ministério. Se o fiel resolver ofertar em missões na Nigéria, infelizmente a mandinga gospel não vai funcionar.

E agora é para rir (ou chorar ainda mais):

Para dar exemplo, Malafaia diz em certa parte do vídeo que se uma pessoa tiver como “o melhor” dez reais, então pode ofertar dez reais e participar da tal “palavra patética”. E como só acredito vendo, fui lá no site do Vitória em Cristo simular uma oferta de dez reais. Olha só o que aconteceu:

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Não consegui ofertar os dez reais exemplificados pelo Malafaia porque o site só aceita oferta mínima de R$ 12,00!

Ê, Malafaia…

Mas enfim, isso foi só algo hilário. Agora vamos ao mais triste e abominável. Malafaia não apenas troca bênçãos por ofertas (e isso na minha terra se chama COMÉRCIO) como também promete orar por 30 dias pelo ofertante. E grifa, no final do vídeo, que vai orar “é lógico, se você efetuar sua oferta”.

Nessa “palavra patética”, como visto no quadro acima, o (im)pastor foi informado pelo deus dele que seria um número limitado de ofertantes para cada modalidade financeira: 7 com mais de dez mil, 10 com 10 mil, 12 acima de cinco mil e assim por diante. Esse negócio de estipular um número de ofertantes que receberão a bênção é uma estratégia bem antiga, pois dá a entender que realmente Deus falou com o profeta, dando até o número exato de pessoas que serão agraciadas. Porém, não há nenhuma forma de averiguar o número de ofertantes. Mas como Deus (o verdadeiro) não deixa que nada fique em oculto, o (im)Pastor Silas Malafaia, num ato falho de vaidade, abriu o jogo do que acontece numa reportagem de 2011 na Revista Piauí. Nessa época, Morris Cerullo havia ido ao seu programa e profetizado que 12 pessoas ofertariam R$ 10.011,00 e que, por isso, receberiam bênçãos financeiras acima da média, além de receberem oração do próprio Cerullo. Porém, você sabe quantas pessoas realmente ofertaram R$ 10.011,00 para o Malafaia?

(Último parágrafo)…[Malafaia] Terminou a conversa revelando o resultado dos pedidos de oferta. Em menos de dez dias, 145 pessoas haviam doado os 10 011 reais e outras 2 mil, os 911 reais. “Alguma compensação eles devem ter, não acha?”, perguntou.

Malafaia não devolveu o dinheiro de quem ofertou acima dos 12 profetizados por Cerullo. E nem pediu nos programas seguintes que deixassem de ofertar tal quantia, ao contrário, reprisou o programa várias vezes para que mais pessoas tivessem acesso e aumentasse a arrecadação. Lobos devoradores!!!

E o mesmo, acredite, acontecerá com a tal “palavra patética” de hoje. Somando os ofertantes citados pelo deus malafaiano, dá menos que 10% dos fiéis apenas de sua igreja-sede (fora todas as igrejas que possui em todo o Brasil). Assim, nem precisaria levar essa mensagem à tevê para alcançar os valores designados pseudo divinamente.

Porém, o objetivo é arrecadar. Os números de ofertantes citados é para tentar esconder a ganância por trás do negócio em nome do Sagrado.

E pensar que estamos para completar, daqui a poucos dias, 499 anos do dia em que Martinho Lutero afixou suas teses na porta da Catedral de Westminster (alguns historiadores relatam que as teses foram enviadas diretamente ao Papa Leão X). E isso porque, naquela época, a Igreja cristã oficial estava trocando o perdão de pecados por ofertas (a venda de indulgências, que em nada se diferenciam à venda de bênçãos praticada nos dias atuais por uma parcela das igrejas evangélicas). Homens e mulheres sofreram grandes perseguições, torturas e mortes dolorosas por não aceitarem que o Sagrado fosse uma mercadoria a ser comercializada.

E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.
E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo.
E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.
E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina.
Marcos 11:15-18

Como é triste e assombroso ver que, séculos depois, voltamos ao que havia de pior no Cristianismo. O inimigo continua semeando o joio em meio ao trigo, não apenas no mundo, mas dentro das igrejas também.

E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus.
Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.
Mateus 10:7,8

Deus não precisa do meu e do seu dinheiro. Deus provê a todos, conforme Sua vontade. Porém, nós nos alegramos em ofertar voluntariamente em prol dos irmãos mais necessitados e para o sustento da Igreja na terra. Essa oferta é de coração, sem exigir nada em troca, por amor, pois Ele nos amou primeiro e tudo nos dá sem que mereçamos. O inimigo de nossas vidas é que tem ganância, avareza, ódio, e por isso não consegue entender que alguém doe sem esperar nada em troca.

O exercício do amor incondicional, seja através de quaisquer atos ou mesmo de doações, para o inimigo de nossas almas é uma prática de “trouxas”. Os “ixpertos” são aqueles que dão sim, mas sabendo que receberão muito mais em troca, no “jeitinho brasileiro” gospel.

O verdadeiro ato de amor incomoda as trevas, que tentam ridicularizar os que verdadeiramente seguem a Cristo.

Que possamos acordar para a realidade e as essências do Evangelho. E que os comerciantes pós-modernos da fé se arrependam enquanto há tempo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

https://estrangeira.wordpress.com/2016/10/15/silas-malafaia-vendendo-bencaos-em-troca-de-ofertas-a-16-dias-da-comemoracao-da-reforma-protestante/

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